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Poucas cidades brasileiras tiveram tão importante
atuação nos acontecimentos históricos nacionais, quanto Taubaté.
Fundada por Jacques Félix (c. 1640), Taubaté foi o 1º núcleo de povoamento,
oficialmente formado no Vale do Paraíba, como ponto de partida para o povoamento de toda
a região valeparaibana. As primeiras famílias de povoadores que, a convite de Jacques
Félix, transferiram-se de São Paulo de Piratininga para Taubaté, iniciaram seu
povoamento, dando origem aos troncos das mais antigas famílias locais: Albernaz, Barreto,
Bueno, Costa, Cabral, Gil, Siqueira, Toledo, entre outras. Por provisão datada de 5 de
dezembro de 1645, Taubaté tornou-se vila com o nome de São Francisco das Chagas, tendo
sido o 1º povoado em todo o Vale do Paraíba a alcançar esta posição; para tanto,
Taubaté já deveria, necessariamente, possuir sua igreja matriz, câmara e cadeia
pública, além de moinhos e engenhos.
Ainda no século XVII, Taubaté destacou-se na História nacional como importante centro
de atividades bandeiristas. De Taubaté partiram inúmeros bandeirantes - Antônio
Rodrigues Arzão, Bartholomeu Bueno de Siqueira, Carlos Pedroso da Silveira, Antonio Dias
de Oliveira, Thomé Portes Del Rei, entre outros, que se tornaram os fundadores de muitas
cidades, entre as quais, as conhecidas "cidades históricas" de Minas Gerais:
Ouro Preto, Mariana, São João Del Rei, Tiradentes, Caetés, entre outras.
Foram taubateanos os primeiros a descobrir ouro em Minas Gerais (1693), por isso, foi
instalada em Taubaté (1695) uma das primeiras Casas de Fundição e Quintos do Ouro, do
Brasil.
A Inconfidência Mineira (1789) contou com a participação de elementoss de Taubaté: o
Pe. Carlos Correa de Araujo, paroco da Vila de São José Del Rei (atual cidade de
Tiradentes) e seu irmão, o sargento-mor Luiz Vaz de Toledo Piza, pertencente à polícia
da vila de São João Del Rei; ambos viviam em posição de destaques nas vilas mineiras,
envolvidas naquele importante episódio de nossa História nacional. Na histórica viagem
que fez desde o Rio de Janeiro, até São Paulo e Santos (1822), o principe D. Pedro,
tendo pernoitado na vila de Taubaté (de 21 para 22 de agosto), recebeu inteiro apoio da
população local, tendo levado em sua companhia, seis taubateanos de origem e dois
radicados, como membros integrados de sua comitiva e que estiveram presentes no momento
histórico de "7 de Setembro" - a proclamação da independência política do
Brasil.
Vinte anos mais tarde (1842), Taubaté também teve importante atuação na Revoltas
Liberais, de que resultou a vinda do então Barão de Caxias a Taubaté, em companhia de
"pacificação"; nesse mesmo ano (1842), a 5 de fevereiro, Taubaté tornou-se
cidade, a 1ª vila do Vale do Paraíba, a conquistar esta condição.
Ainda no século XIX, Taubaté destacou-se como importante centro produtor de café,
contando com 86 fazendas produtoras no município.
Antecipando-se em mais de dois meses à Lei Áurea, a Câmara de Taubaté concedeu a
liberdade aos seus escravos, no dia 4 de março de 1888, sendo uma das poucas cidades
brasileiras a fazer tal concessão.
O pioneiro industrial no Vale do Paraíba, foi conquistado por Taubaté, ainda no final do
século XIX (1891) com a fundação da Companhia Taubaté Industrial (C.T.I.) pelo
empresário Félix Guisard.
Em 1900, Taubaté foi o município que mais produziu café em todo o Vale do Paraíba,
sediando (1906) uma importante convenção - o "Convênio do Café" - que
reuniu, a 26 de fevereiro daquele ano, os representantes dos governos de São Paulo, Minas
Gerais e Rio de Janeiro (os 3 maiores produtores de café do país), para a
regulamentação da produção e comércio do café.
Alguns anos mais tarde, já na década de 1930, Taubaté teve importante participação na
Revolução Constitucionalista (1932), tendo enviado várias tropas de voluntários para
as frentes de combate, destacando-se, entre outros, o "Batalhão Jacques
Félix".
Em diferentes momentos, Taubaté tem se destacado em vários acontecimentos da vida
social, política e econômica do Vale do Paraíba, de São Paulo e do Brasil.
Atualmente, Taubaté encontra-se perfeitamente integrada à realidade regional e nacional,
recordando com orgulho suas origens históricas de cidade antiga que muito tem
contribuído para a História nacional.
Fonte: Antonio Carlos de Argôllo Andrade -
Historiógrafo -
Divisão de Museus, Patrimônios e Arquivo Histórico de Taubaté
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