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Brasil  Rio Grande do Norte   Natal
    História da Cidade      
 

A doação que D. João III fez a João de Barros e a Aires da Cunha compreendia o território do Rio Grande do Norte. Para exploração dos dois lotes que Ihe couberam, o famoso autor das "Décadas", seu associado e Fernão Alvares de Andrade, donatário da Capitania do Piauí, organizaram uma expedição, da qual participavam dois filhos do primeiro, Jerônimo e João. Em novembro de 1535, com cinco naus e cinco caravelas, 900 homens e mais de 100 cavalos, a expedição deixou o Reino, para atingir em dezembro do mesmo ano, a Capitania de Pernambuco, onde Duarte Coelho lhe deu agasalho e lhe forneceu intérprete, guias e pequena embarcação para exploração do litoral.
De Pernambuco, segundo Varnhagen, referido por Luís da Câmara Cascudo, a frota saiu bordejando pela costa, rumo ao norte, indo fundear na foz do rio Baquipe, rio Pequeno ou do Ceará-Mirim, a menos de 12 quilômetros acima da futura cidade de Natal. Na embocadura do Ceará-Mirim, a expedição, sob comando de Aires da Cunha, encontrou fortíssima resistência dos potiguares, auxiliados por franceses que faziam escambo com os indigentes.
Prosseguindo para o norte, os remanescentes da expedição chegaram em março de 1536 a ilha do Maranhão, onde fundaram um povoado, a que deram o nome de Nazaré, ali permanecendo cerca de 3 anos, em meio a grandes trabalhos e vicissitudes.
Morreram cerca de 700 homens e os restantes renunciando aos sonhos de grandeza, abandonaram por fim o lugar em caravelões que, navegando á matroca, foram dar nas Antilhas, em agosto de 1538.
Outra expedição, fracassada como a anterior, teria sido levada a cabo no ano de 1555, ainda por iniciativa de João de Barros, dela participando seus dois filhos. O fato é que até 1561 o Donatário não estabelecera povoação nas terras do Rio Grande do Norte nem praticara atos eficientes de posse, conquanto os franceses continuassem a manter assíduo comércio com os silvícolas. A 6 de março daquele ano, o Donatário requeria ao jovem Rei D. Sebastião proibisse a ida de qualquer pessoa, sob qualquer pretexto, as suas terras do Brasil, embora na Capitania não houvesse povoamento.
Os Franceses Ao serem expulsos da Paraíba, os franceses refluíram para o rio Potengi, convertendo o sítio em núcleo irradiante de suas incursões. Jacques Riffault, por exemplo, abrigava suas naus na curvo do Potengi, de onde saíram 13, em 1597, para atacar Cabedelo. A região em que atualmente se localiza a cidade de Natal era domínio os potiguares, cuja amizade com os franceses facilitava a movimentação das naus gaulesas e o tráfico de pau-brasil.
Reação
A expedição que deveria fundar o Forte e a cidade só se realizou em dezembro de 1597, no governo de D. Francisco de Souza, em obediência a cartas régias.
Composta de 7 navios e 5 caravelas, tendo por Capitão-mor Francisco de Barros Rego e por Almirante Antônio da Costa Valente, a frota de guerra partiu de Pernambuco e velejou para o norte, enquanto por terra, acompanhando Manuel Mascarenhas Homem, Capitão-mor daquela capitania, iam três companhias de gente a pé, comandadas por Jerônimo de Albuquerque, seu irmão Jorge e Antônio Leitão Mirim, este último a frente de uma companhia montada.
Parcialmente dizimados pela varíola, os expedicionários atingiram a foz do Potengi em fins daquele ano, empenhando-se em lutas com os franceses e seus aliados indigentes. Num arrecife, a 700 metros da barra do Potengi, foi iniciada a construção do Forte na manhã do dia dos Santos Reis, 6 de janeiro de 1598. Seguiram-se lutas cruentas, com avanços e recuos, até que, mercê de paciente trabalho de persuasão, desenvolvido pelos jesuítas, estabeleceu-se a paz com os potiguares, retirando-se os franceses.
Fundação da Cidade
Deu-se início, então, a "uma povoação no rio Grande, a uma légua do Forte, a que chamam Cidade dos Reis", conforme afirmativa de Frei Vicente do Salvador, que não tem sido aceita pacificamente. No mapa divulgado por Barléus, em 1647, figura Natal como uma aldeia habitada por portugueses. Robert Southey sugere que a povoação primitiva ficava perto do Forte, sendo posteriormente transferida para lugar conveniente.
A fundação da cidade ocorreu em 25 de dezembro de 1599. Vários historiadores atribuem a escolha do topônimo ao fato de haver sido a demarcação feita no dia do Natal. A Constituição Estadual registra a grafia CIDADE DO NATAL.
A iniciativa da fundação é também controvertida. Autores modernos consideram invalidada a tradição que outorgava tal glória a Jerônimo de Albuquerque, tendo em vista que quinze dias após ser criada a cidade, era Capitão da Fortaleza dos Reis Magos João Rodrigues Colaço, a quem, como observa Câmara Cascudo, deveria caber, até prova em contrário, a autoria do empreendimento.
O povoamento foi lento. Em 1608, Diogo de Menezes, em carta a El-Rei, afirmava que a população era escassa. Em 1614, havia doze casas e a igreja não possuía portas. A situação, ao que parece, não melhorou sob o domínio holandês. No século XVIII, o Capitão-mor d' Forte mudou-se para a rua Grande, berço da cidade; em 1759, o Ouvidor-mor admitia, com pessimismo, a existência de 118 casas. Até a altura de 1922, a cidade pouco mudara. Desde então, porém, começou a modernizar-se, iniciando-se o atual surto de progresso.
FORMAÇÃO ADMINISTRATIVA
A 25 de dezembro de 1599, Jerônimo de Albuquerque, Capitão-mor da Fortaleza das Reis Magos, inaugurou a vila, a que deu o nome de Natal.
O Governador-Geral do Brasil, D. Diogo de Menezes, em 1611, por parecer da Relação da Bahia criou o Município, a cuja sede se concederam foros de cidade por Decreto de 24 de fevereiro de 1823.
De acordo com a Divisão Administrativa de 1911. Natal compunha-se de 3 distritos: Ribeira, Cidade Alta e Cidade Nova.
Nas seguintes, aparece com um único distrito, o da sede. Por força da Lei estadual n.º 146, de 23 de dezembro de 1948, que estabeleceu a divisão territorial do Estado para 1949-1953, passou a figurar com os distritos de Natal e Parnamirim.
Gentílico Natalense.

Fonte: Biblioteca IBGE

   
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  Domingo, 21 de Março de 2010  
 
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