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Até o século XVII, Recife foi apenas uma pequena
aldeia, funcionando como porto da vila de Olinda, na época o centro mais importante da
região, situado na junção dos rios Capibaribe e Beberibe. Sua expansão teve início em
1630 com a ocupação holandesa, que a fez crescer consideravelmente em dez anos, passando
de simples vilarejo, com cerca de 200 casas, para uma aldeia onde existiam mais de 2.000
habitações. Os holandeses realizaram obras de saneamento na ilha de Antonio Vaz, hoje
distrito de Santo Antonio, onde se encontram as melhores construções da cidade, e
construíram uma ponte ligando-a ao continente. Importaram casas pré-fabricadas da
Holanda e introduziram no Brasil, o tipo de casa conhecido como "sobrados
magros" (com dois ou mais andares e escadarias).
Briga entre Irmãs
A semente de desenvolvimento
plantada pelos holandeses germinou em Recife. Pouco a pouco a cidade, lar de comerciantes
e pequenos burgueses, chamados mascates, suplantaria a capital Olinda, lar dos
tradicionais senhores de engenho. O ciúme entre as cidades irmãs culminou com a guerra
dos mascates, em 1710.
A partir daí, e durante quase um século, a região entra em declínio. Em 1811, vive uma
série de revoltas separatistas e republicanas.
Rebeldia no Sangue
O espírito revolucionário
contaminou o sangue dos Recifenses. A capital pernambucana seria palco de várias
revoltas, como a Revolução de 1817 e a Confederação do Equador, de 1824. Nelas se
destacaria a figura de Frei Caneca, religioso fuzilado por seus ideais libertários. Mais
recentemente, os mesmos ideais norteariam o trabalho de D. Hélder Câmara à frente da
Arquidiocese de Olinda e Recife: sua voz calma e mansa foi o instrumento mais poderoso de
combate às atrocidades cometidas pela ditadura militar no Brasil nos anos sessenta e
setenta.
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