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Texto
: Antônio de Pádua Salgado
A emancipação de Paulo Afonso
surgiu por força do seu progresso. Em 15 de março de 1948, o Governo Federal -
Presidente Eurico Gaspar Dutra, criou a Companhia Hidro Elétrica do São Francisco -
CHESF, com a finalidade de aproveitar o potencial energético da Cachoeira de Paulo
Afonso. Em torno das instalações do acampamento da Chesf surgiu uma aglomeração urbana
que se desenvolveu a ponto de se tornar o centro mais populoso, de maior renda e o grande
suporte das atividades administrativas da série do município - Glória.
Graças ao seu desenvolvimento, a 30 de dezembro de 1953, por força da Lei Estadual de
nº 62, passa a distrito. Paulo Afonso tinha tudo pra se tornar cidade, então Abel
Barbosa e Silva lançou a campanha "Vamos emancipar Paulo Afonso". Esta campanha
coincidiu com a época das eleições para renovação da Câmara Municipal e para
Prefeitura de Glória. Abel lança-se candidato a vereador representando o distrito de
Paulo Afonso, muitos outros candidataram-se com o mesmo objetivo. Desses, 4 conseguiram
eleger-se por Paulo Afonso: Abel Barbosa-PTB, Moisés Pereira-PTB, Otaviano Leandro de
Morais-PSB e Hélio Morais Medeiros (Hélio Garagista)-UDN. Apesar das divergências
político-partidárias uniram-se em torno da luta pela emancipação. Numa Câmara
composta por nove vereadores, seriam necessários 6 votos (quórum qualificado) para a
aprovação do projeto da autoria do vereador Abel Barbosa. Com muito empenho conseguiram,
além dos 4 votos que tinham, os votos dos vereadores Amâncio Pereira e Adauto Pereita -
conhecido por Adauto Cearense -, pai do professor José Maria. No dia da votação da
Câmara, mês de março de 1956, Moisés Pereira que sofria de problemas renais, teve 3
crises e foi preciso prorrogar a hora da votação, quando Moisés Pereira melhorou e pode
ir votar, então aconteceu a vitória. A luta foi árdua, algumas famílias da velha
Glória se opunham à emancipação de Paulo Afonso, assim como a própria Chesf.
As perseguições foram muitas, as reuniões para tratar o assunto tinham que ser feitas
secretamente. Abel chegou a sofrer uma tentativa de assassinato, em frente ao cinema que
havia onde funcionava a Casas Pernambucanas, Av. Getúlio Vargas. Escapou graças a
intervenção de Josias Lima (irmão do ex-vereador Batomarco) Xerém.
Da primeira reunião secreta participaram: Luiz Inocêncio Lima (pai do vereador Xerém),
Antônio Neto, João Marcineiro, João Sapateiro, Hortêncio e Risalva Toledo (a única
mulher a participar da luta pela emancipação).
Vencida a batalha em Glória, partiram para a Assembléia Legislativa do Estado - na
época não havia plebiscito, quem decidia tudo era a Assembléia. Lá não contavam com
uma representação suficiente para a aprovação do projeto, mobilizaram então a
comunidade fazendo com que muitas pessoas enviassem telegramas aos Deputados pedindo
apoio. Cópias desses telegramas foram levados por Abel à Assembléia como forma de
pressionar os Deputados. Abel conseguiu firmar um compromisso com o Deputado Otávio
Drumond, também do PTB e autor do projeto na Assembléia. Com muito trabalho e com o
apoio desse Deputado, conseguiu o apoio, além de alguns Deputados do PTB, do Deputado
Antônio Carlos Magalhães - atual Senador - que sendo o líder da UDN conseguiu os votos
dos Deputados do seu partido, do líder do governo na época - Governador Antônio
Balbino, do Deputado Lomanto Júnior, do Deputado Valdir Pires, do Deputado Josaphat
Marinho. É interessante frisar que o grupo obteve apoio de partidos adversários do PTB,
como a UDN, por exemplo.
O projeto de emancipação de Paulo Afonso, chegou a desaparecer da Assembléia
Legislativa e o grupo teve que reconstituí-lo, pois estavam atentos a tudo.
Finalmente, a 13 de julho de 1958 o projeto foi aprovado e Paulo Afonso conseguiu a sua
Emancipação Política em 28 de julho de 1958.
Por exigência do povo, Abel foi candidato a prefeito, competiu inicialmente com 3
candidatos: José de Oliveira Matos (Marotinho da Farmácia - tio de Tico), Otaviano e
Adauto Pereira.
A Chesf, intocável e toda poderosa, não tinha interesse na eleição de Abel, achavam
seus dirigentes que ele já havia incomodado demais, além disso pertencia a um partido de
trabalhadores - o PTB.
Abel conseguiu que Getúlio Vargas - presidente da república na época e visitando Paulo
Afonso - contrariasse a programação estabelecida e fosse ao Sindicato dos Trabalhadores
que funcionava de maneira improvisada na Av. Getúlio Vargas.
A medida que crescia a candidatura de Abel aumentava a pressão da Chesf que chegou a
demitir muitas pessoas que o apoiavam, como por exemplo: Gilberto da voz do Povo, José
Francisco de Cordeiro (Zezito do Fórum), Eliodário. Só não impediram a sua candidatura
por que ele contava com o apoio do Governador do Estado e de Deputados da Assembléia
estadual.
A Chesf resolveu então investir em Otaviano, por considerá-lo mais maleável e conseguiu
que Adauto desistisse da candidatura e apoiasse Otaviano.
Perseguindo os trabalhadores e manipulando a própria Justiça Eleitoral, derrotando assim
o grupo de Abel.
Otaviano Leandro de Morais foi o primeiro Prefeito da cidade de Paulo Afonso.
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