Brasil -> BA -> Região : 19 - Jeremoabo -> Cidade : Jeremoabo

 

Partindo a primeiro de fevereiro de 1549, a expedição de Tomé de Souza com três navios: Conceição, Salvador e Ajuda, acompanhados de duas caravelas que deveriam voltar carregados de pau-brasil chegava na Bahia em 29 de março do mesmo ano, com ordem expressa do rei de Portugal D. João III para fundar a cidade de Salvador,a primeira capital do Brasil e ser seu primeiro Governador Geral.
Os colonos em número de mil pessoas, muitos deles condenado, cristãos novos e pessoas expulsas de Portugal vieram acompanhados de seis Jesuítas, quatro padres e dois irmãos e de toda a máquina administrativa; provedor-mor (finanças), ouvidor-mor (justiça), capitão-mor (guerra), médicos, arquitetos, etc.
Garcia d'Ávila era o almoxarife-mor, rico, temperamento forte de bandeirante, exerceu notável influência no desbravamento do nordeste baiano, capturando índios e fundando currais para a criação de gado bovino. Do rei D. João III recebeu grande sesmaria, calculada em sessenta léguas quadradas, que abrangia as terras que percorrera com suas bandeiras.
Garcia d'Ávila e seus descendentes construíram uma verdadeira fortaleza nas meiações da hoje grande Salvador, onde está Dias Ávila, com uma enorme torre para melhor vislumbrar o inimigo à distância. Daí então recebeu o nome de "Casa da Torre".
Garcia d'Ávila e seus descendentes mais próximos atingiam com ingentes sacrifícios e de certo modo por etapas o Rio São Francisco, deixando em cada ponto que se prestava para a pecuária, um casal de índios com algumas matrizes e um reprodutor de bovinos, com uma choupana, um curral de pau-a-pique, às vezes até um casal de equinos.
Durante quatro gerações os Ávilas estenderam seus domínios por quase todos os estados do Nordeste. Grandes divergências surgiram entre Garcia d'Ávila e os missionários, qual se opunham à escravidão dos índios, por aquela praticada, e busca de braços para os trabalhos agrícolas, pois ainda não satisfaziam às necessidades do campo e o escasso número de pretos importados da África. Em represália aos missionários, o Senhor da Casa da Torre, Francisco Dias d'Ávila em março de 1669 incendiou as Igrejas de Jeremoabo e Itapicuru e as dos Kaimbés, reconstruindo-a depois em face da intervenção do papa ou do próprio Governo Colonial.
No primeiro quartel do século XVII, há notícias de que uma religiosa fundou aldeamento em derredor da ermida de Nossa Senhora de Brotas, que se encontrava, às margens do Rio Vermelho, antigo Rio Jeremoabo, (atrás do hospital) ainda se encontram os alicerces da velha capela da missão jesuítica seiscentista. A região de Jeremoabo, palavra indígena que significa "plantação de abóbora", foi povoada primitivamente pelos aborígenes muongorus e cariacás, ramo dos tupinambás. Os padres João de Barros e Jacob Roland promoveram a catequese dos índios de Jeremoabo e da região vizinha. Encontra-se na igreja matriz da atual cidade uma cruz paroquial de prata portuguesa, com a inscrição: "Igreja de Nossa Senhora de Brotas".
Em 1688, foi expedida a patente do primeiro capitão-mor da aldeia dos Muongorus de Jeremoabo, em favor de Sebastião Dias e com referência ao cabo Domingos Rodrigues de Carvalho, que dominara pelas armas a ferocidade dos indígenas. No mesmo ano, outra patente de "capitão" desses índios foi expedida em favor de Inácio Dias. A catequese dos índios foi mantida pelos missionários franciscanos, em 1702, que "disciplinaram aqueles lugares, tornando-se mais eficazes que as ameaças do Governo". Jeremoabo aparece já em 1698 com a categoria de "julgado". Segundo comenta Euclides da Cunha, era aquela localidade "incomparavelmente mais animada do que hoje" (1897); o humilde lugarejo desviara para si, não raro, a atenção de João Lancastro, Governador Geral do Brasil, principalmente quando se exacerbavam as rivalidades dos chefes dos índios munidos com patentes, perfeitamente legais de "capitães".
Em 1778, por iniciativa do citado 32.º Governador Geral do Brasil, criou-se a freguesia, na qualidade de termo Itapicuru. O alvará de criação da paróquia foi assinada por D. João V. Sob o regime de povoado a jurisdiçao civil possuía os mesmos limites paroquiais. Segundo informações à Côrte pelo Padre Januário de Sousa Pereira, Vigário freguesia de São João Batista de Jeremoabo do Sertão de Cima, havia na sede 32 casas e 252 habitantes sendo cinco brancos e os demais negros. De Jeremoabo desmembraram-se outras povoações, antigas aldeias de índios, para construírem outras freguesias e, depois, transformaram-se em municípios, como seja: Monte Santos, em 1790; Cícero Dantas, em 1817; Tucano, em 1837; Ribeira do Pombal, em 1837; Santo Antônio da Glória, em 1840 e outras. Vê-se assim que Jeremoabo foi o centro colonizador mais importante do nordeste baiano; do se amplo território de então, nasceram vários dos atuais municípios. Freguesia até 1831, foi, pelo Decreto de 25 de outubro daquele ano, elevada à categoria de vila e, depois à cidade pelo Decreto n.º 1775, de 6 de junho de 1925, por força da Lei n.º 628, de 30 de dezembro de 1953, sua composição administrativa passou a ser de seis distritos: sede (Jeremoabo), Canché, Iguaba, Santa Brígida, Sítio do Quinto e Voturuna.

Fonte: http://jeremoabo.tripod.com