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Manaus é uma cidade rica
de manifestações folclóricas. Nos meses de junho e julho realizam-se festivais que
sintetizam todas as tendências culturais da população amazonense, de origem indígena,
nordestina e portuguesa, principalmente, além das infuências orientais, em especial a
cultura árabe. Dentre essas manifestações, a dança tem lugar de destaque nas
apresentações de bois-bumbás, quadrilhas caipiras, danças de tribos indígenas,
danças de cangaceiros, pastorinhas, danças afro, danças de pássaros, entre outras.
Além do Festival Folclórico do Amazonas, realizado no Centro Cultural de Manaus
(Sambódromo), também ocorrem festivais em bairros e colégios, com apresentações de
quadrilhas e danças típicas regionais, nacionais e internacionais.
Os festivais de maior destaque em Manaus são: Festival do Colégio Marquês de Santa
Cruz, Bairro da Glória, Simpósio de Danças Folclóricas Internacionais do Beco do
Macedo, Festival do Parque 10, Festival do Coroado, Festival da Cidade Nova, Festival do
Bairro São José, Festival dos bairros Hiléia I e II. É interessante notar o forte
empenho dos jovens participantes em reproduzir com perfeição as danças de outros
países, principalmente de regiões árabes.
Outra manifestação popular realizada todos os anos é a Festa do Boi-Bumbá. Originária
do Maranhão e difundida por todo o Brasil, tornou-se atração turística no Amazonas,
devido ao espetacular festival realizado na ilha de Parintins, no interior do Estado. Essa
festa também mobiliza a população manauara, que durante esses dias se dirige em massa
para a ilha. Em Manaus, os ensaios acontecem de março a junho, em clubes e casas de shows
da cidade, sendo alguns desses locais denominados de Curral do Boi Garantido ou Curral do
Boi Caprichoso. Por outro lado, Manaus ainda mantém a sua própria tradição do
boi-bumbá, preservada pelas comunidades dos bairros periféricos. Aqui ainda predominam a
tradição familiar na preparação da festa e a simplicidade no eterno recontar a
estória do boi do patrão, morto pelo empregado Pai Francisco, para saciar o desejo de
sua mulher grávida, Catirina. No mês de junho também costumam ser realizadas festas
juninas entre familiares, vizinhos e amigos. Estas festas são animadas por músicas
típicas, acompanhadas de apetitosos quitutes, como o munguzá (mingau preparado com milho
branco), bolo de macaxeira - nomenclatura regional para a mandioca ou aipim -, e o aluá
(bebida fermentada preparada com abacaxi e mangarataia - nomenclatura regional para o
gengibre). Se houver oportunidade, aproveite para apreciar esses eventos. É, sem dúvida,
uma boa maneira de compreender melhor a cultura local.
A festa do Boi-bumbá
Foto:
FUMTUR
Originária do Maranhão, com o nome
de Bumba-meu-boi, a brincadeira do Boi-bumbá tomou características próprias no
Amazonas, devido à miscigenação indígena. Na ilha de Parintins, no rio Solimões, a
420 km de Manaus, acontece a maior manifestação folclórica da Amazônia, quando a
cidade se divide em Azul e Vermelho - as cores dos bumbás CAPRICHOSO e GARANTIDO .
Realizado nos dias 28, 29 e 30 de junho, o espetáculo conta com a presença de 40 mil
pessoas, entre brincantes e visitantes de Manaus e de várias regiões do país e do
mundo.
O ponto alto das apresentações do que é chamado de Brincadeira do boi é a
representação da morte do boi, que faz parte da lenda que conta a história de Mãe
Catirina que, durante a gravidez teve o desejo de comer língua de boi.Seu marido, Pai
Francisco, sacrifica o boi da fazenda onde trabalha para satisfazer a vontade da esposa. O
patrão descobre a façanha e decide prender Pai Francisco, com a ajuda de alguns
vaqueiros. Os índios ajudam a esconder Pai Francisco. O padre e o médico das redondezas
não conseguem ressuscitar o animal, mas o pajé consegue, salvando Pai Francisco. Com o
boi vivo novamente, a festa se reinicia, num ritmo frenético e irresistível.
Em Manaus, os ensaios para o Festival Folclórico de Parintins têm início logo após o
carnaval e vão até a penúltima semana de junho. Há também os currais de boi locais,
que ensaiam por toda a cidade.
O Movimento Marujada organiza o Bar do Boi Caprichoso, na Tevelândia, todas as
sextas-feiras (de março a junho) a partir das 17 horas, à Av. Djalma Batista, próximo
ao Amazonas Shopping. Informações: 533-2310.
O Bar do Boi Garantido é organizado pela Associação Amigos do Garantido, no Olímpico
Clube, todas as sextas-feiras, a partir das 19 horas, à Av. Kako Caminha, 501, próximo
ao terminal de ônibus da Avenida Constantino Nery. Informações: 533-1201.
O Mito da origem do Guaraná.
A versão mais completa da
história mítica do guaraná foi publicada em 1954 por Nunes Pereira, em seu livro
"Os Índios Maués":
"Antigamente, contam, existiam três irmãos: Ocumáató, Icuamã e Onhiámuáçabê.
Onhiámuáçabê era dona do Noçoquem, um lugar encantado no qual ela havia plantado uma
castanheira.
A jovem não tinha marido; porém todos os animais da selva queria viver com ela.
Os irmãos, ao mesmo tempo, a queriam sempre em sua companhia, porque era ela quem
conhecia todas as plantas com que preparava os remédios de que precisavam.
Uma cobrinha, conversando com outros animais, certa vez, disse que Onhiámuáçabê
acabaria sendo sua esposa.
Foi então espalhar pelo caminho por onde ela passava todos os dias um perfume que
alegrava e seduzia.
Quando Onhiámuáçabê passou pelo caminho, aspirando o perfume disse:
- Que perfume agradável!
A cobrinha, que estava próxima, disse a si mesma:
Eu não dizia? Ela gosta de mim!
E, correndo, foi estirar-se mais adiante para esperar a moça.
Ao passar ao seu lado, tocou-a, levemente, numa das pernas.
E isto só bastou para que a moça ficasse prenhe, porque antigamente, uma mulher, para
que isso acontecesse, bastava ser olhada por alguém, homem, animal, ou árvore, que a
desejasse como esposa.
Porém os irmãos de Onhiámuáçabê não queriam que ela se casasse com gente, animal,
ou árvore que tivesse filhos, porque era ela quem conhecia todas as plantas com que
preparava os remédios de que precisavam.
Por isto, quando a moça apareceu prenhe, os irmãos ficaram furiosos. E falaram, falaram
e falaram, dizendo que não queriam vê-la com filho.
Chegou o dia do nascimento da criança.
A moça, depois do parto, no barracão feito por ela mesma, lavou a criança e tratou de
criá-la.
Era um menino bonito e forte; e cresceu forte e bonito até a idade de falar.
Logo que pôde falar, o menino desejou comer as mesmas frutas de que os tios gostavam.
A moça contou ao filho que, antes de o sentir nas entranhas, plantara no Noçoquem uma
castanheira, para que ele comesse os frutos, mas que os irmãos, expulsando-a da companhia
deles, se apoderaram de Noçoquem e não o deixaram comer castanhas.
Além disso, os irmãos da moça tinham entregue o sítio à guarda da Cotia, da Arara e
do Piriquito.
O menino, porém, continuou a pedir a Onhiámuáçabê, mãe dele, que lhe desse a comer
as mesmas frutas que os seus tios comiam.
Um dia então, Onhiámuáçabê, a moça, resolveu levar o filho ao Noçoquem para comer
as castanhas.
Assim, indo a Cotia ao Noçoquem, viu no chão, debaixo da castanheira, as cinzas de uma
fogueira, onde haviam assado castanhas.
A Cotia correu e foi contar o que vira aos irmãos da moça.
Um deles disse que talvez a Cotia se enganasse, o outro disse que não podia ser verdade.
Discutiram.
E, afinal, resolveram mandar o Macaquinho-da-boca-roxa tomar conta da castanheira, a ver
se aparecia gente por ali.
O menino que havia comido muitas castanhas e cada vez mais as cobiçava, já conhecendo o
caminho do Noçoquem, tornou a ir lá no dia seguinte.
Ora, os guardas no Noçoquem, que tinham ido adiante, com ordens de matar a quem ali
encontrasse, viram o menino subir, às pressas, à castanheira.
E, estando próximos, bem próximos, ocultos por outras árvores, tudo observando,
correram e foram esperá-lo debaixo da castanheira, armados com uma cordinha para decepar
a cabeça do comedor de castanhas.
Dando por falta do filho, a mulher já se havia posto a caminho, para buscar, quando lhe
ouviu os gritos.
Correu na direção do filho, mas já o encontrou decepado às mãos dos guardas.
Arrancando os cabelos, chorando e gritando sobre o cadáver do filho, a moça
Onhiámuáçabê disse:
Está bem, meu filho. Foram os seus tios que mandaram te matar. Eles pensavam que tu
ficarias um coitadinho, mas não ficarás.
Arrancou-lhe primeiro o olho esquerdo e plantou-o. A planta, porém, que nasceu desse olho
não prestava; era a do falso guaraná.
Arrancou-lhe, depois, o olho direito e plantou-o. Desse olho nasceu o guaraná verdadeiro.
E continuando a conversa com o filho, como se o sentisse vivo, foi anunciando:
Tu, meu filho, tu serás a maior força da Natureza; tu farás o bem a todos os homens; tu
serás grandes; tu livrarás os homens de uma moléstia e os curarás de outras.
Em seguida juntou todos os pedaços do corpo do filho. Mascou, mascou as folhas de uma
planta mágica, lavou com sua saliva e o suco dessa planta o cadáver do filho e o
enterrou.
Cercou-lhe a sepultura com estacas e deixou um dos seus guardas de inteira confiança,
vigiando-a.
Recomendou a esse guarda, que era o Caraxué, que a fosse avisar, assim que ouvisse
qualquer barulho saído da sepultura, pois ela saberia quem era.
Passado alguns dias, o Caraxué, ouvindo barulho na sepultura, correu, e foi avisar
Onhiámuáçabê.
A moça veio, abriu o buraco da sepultura e de dentro dela saiu o macaco Quatá.
Onhiámuáçabê soprou sobre o macaco Quatá e amaldiçoou-o: andaria sem repouso pelos
matos.
Fechou de novo a sepultura a lançou-lhe em cima o sumo das folhas da planta mágica com
que lavara o cadáver.
Dias depois o Caraxué foi avisá-la de que ouvira um barulho na sepultura do menino.
A moça veio, abriu a sepultura e dele saiu o cachorro-do-mato Caiarara.
Ela soprou sobre ele e o amaldiçoou, para que ninguém o comesse.
Fechou de novo a sepultura e foi embora.
Dias depois o Caraxué foi avisar que ouvira barulho, de novo, dentro da sepultura.
Onhiámuáçabê foi até lá; abriu o buraco da sepultura e dele saiu o porco Queixada,
levando os dentes que deveriam caber a todos os maués e a todos os homens.
Onhiámuáçabê expulsou também o porco Queixada.
(à proporção que saia um bicho da sepultura do menino e era expulso, a planta do
guaraná ia crescendo, crescendo).
Passado alguns dias o Caraxué ouviu outro barulho na sepultura e foi avisar
Onhiámuáçabê.
Ela veio de novo, abriu a sepultura e dali saiu uma criança que foi o primeiro maué,
origem da tribo.
Esse menino era o filho de Onhiámuáçabê, que ressuscitara.
Onhiámuáçabê agarrou-o, sentando-o nos joelhos. E pôs-lhe um dente na boca, feito de
terra.
(Por isso nós, os maués, procedemos do cadáver e o nosso dente apodrece).
A mulher foi lavando tudo, tudo, devagarinho, os pés, a barriga, os braços, o peito, a
cabeça do menino com o sumo das folhas da planta mágica, que mastigara.
Quando ela estava, entretida, fazendo isso com o filho, os seus irmãos chegaram, de
repente e a obrigaram a deixar de lavar-lhe o corpo.
(Este é o motivo porque os maués não mudam de pele, como a cobra)".
Fonte: www.cpaa.embrapa.br/guarana
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